sábado, 11 de março de 2017

Finland Gulls

Anilha-M[ST281940]


Guincho-comum (Larus ridibundus*)   

Anilha metálica - M[ST281940]
Anilhador: Pekka Alho
Local onde foi anilhada: Askainen, Varsinais-Suomi, Turku-Pori, Finland 
Local da observação: Praia de Angeiras, Matosinhos, Portugal
Distância: Askainen > Angeiras = 2969 Kms (em linha recta)
Data da observação: 08.02.2017


6 anos, 7 meses e 16 dias depois de ter sido anilhada, em 22.06.2010, na Finlândia, registei o avistamento desta ave.
Não foi tarefa fácil porque a ave se afastava sempre que eu tentava aproximar-me dela na tentativa de fotografar a anilha para obter a leitura da matricula. Todavia, com alguma paciência, consegui tirar algumas fotografias.
Com algum trabalho de análise e a preciosa ajuda de Juha, da Universidade de Helsínquia, foi possível ler, de forma inequívoca, o numero da anilha.
É com exemplos destes que reconhecemos a importância das anilhas coloridas de leitura à distância porque, se esta ave tivesse uma dessas anilhas, saberíamos certamente muito mais sobre a sua vida.

* - Existem alguns guias de aves onde esta espécie aparece com o nome Chroicocephalus ridibundus. Todavia, nem todas as autoridades adoptam esta designação. A adopção do género Larus é uma recomendação da AERC que pode consultar aqui.  

Askainen > Angeiras = 2969 Kms (em linha recta)




Agradecimento:
A informação do histórico desta ave foi disponibilizada por: LUOMUS Ringing Center (University of Helsinki)  




sábado, 18 de fevereiro de 2017

Channel 10


Larus fuscus
Lesser black-backed gull | Goéland brun| Gaviota sombria | Gaivota-d'asa-escura

Originárias das Ilhas do Canal registei 10 aves, na tarde do dia 7 deste mês, na Praia da Aguda. Todas as gaivotas eram da espécie Larus fuscus (Gaivota-de-asa-escura) e pertenciam ao projecto liderado por Paul K. Veron no Bailiado de Guernsey.
Registei ainda aves anilhadas na Noruega, Holanda (2), Inglaterra (2), Escócia, Espanha(3) e Portugal.

De todas as aves observadas destaco esta gaivota com 14 anos de idade com a anilha N[7AM8] pela sua interessante história de vida.

Este individuo foi anilhado, ainda pinto, por Jamie Hooper em Burhou uma pequena ilha deserta de cerca de 2,3 km a noroeste de Alderney. Aqui recebeu, primeiramente, a anilha metálica nº. E12334  em 19 de Julho de 2003.
Passados 9 anos foi-lhe aplicada a anilha colorida N[7AM8]  pelo Paul Veron em 14 de Junho de 2012, também em Burhou onde, provavelmente, esta fêmea terá regressado para procriar.
Depois, com a anilha colorida e graças aos registos anuais que nos permitem verificar o seu percurso migratório, podemos afirmar que esta ave ganhou uma “nova vida”.

Quadro de observações anuais
ANO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
2003






ring





2004/11












2012





ring



1
1

2013










2

2014






2


1


2015










1

2016







1

1


2017

1











Observações em Guernsey
Observações em Espanha
Observações França
Observações em Portugal



Observadores:
- Guernsey: Jamie Hooper & Paul Veron (ringers); Catherine (Burhou)
- Espanha: António Gutierrez (Galiza); César Alvarez Laó (Asturias)
- França: Loic Jomat; Olivier Laluque (Saint-Denis-d'Oléron)
- Portugal: Peter Rock (Mira); José Bento (Cascais) José Marques (Aguda)

Locais onde foi observada



Agradecimento:
- A história de vida destas aves foi disponibilizada por Paul K Veron




N[9AH6]


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Larus delawarensis (An American in Portugal)


(Larus delawarensis)

- Gaivota-de-bico-riscado | Ringed-billed Gull | Goéland à bec cerclé | Gaviota de Delaware
- ENV. 112-124 cm, C. 41-49 cm
- Estatuto em Portugal: Invernante raro

A Gaivota-de-Delaware, ou Gaivota-de-bico-riscado, é originária da América do Norte da região do
Rio e Baía de Delaware, donde provem o nome da espécie.

O habitat natural e de nidificação destas gaivotas é perto de lagos, rios ou zonas costeiras do Canadá
e norte dos Estados Unidos.

Esta ave tem a tendência de ser fiel ao seu local de nidificação para procriar. Todavia, são migradoras
deslocando-se para o sul do Golfo do México, as costas do Atlântico e Pacífico da América do Norte e também nos Grandes Lagos



Esta espécie era muito rara na Europa até à década de 80. Actualmente, embora escassa, é um “vagante” regular na Europa Ocidental. Na Irlanda e Grã-Bretanha invernam várias aves regularmente nestes países e deixaram de ser classificadas como raridades.
No território português é considerada uma invernante rara, ainda que regular.
Em Portugal continental, a espécie ocorre isoladamente ou em pequenas agregações, principalmente em zonas costeiras como praias,estuários, desembocaduras de rios e portos de pesca.


Ontem, dia 2 de Fevereiro, esteve um grande temporal no mar e eu tenho por habito nestes dias, dispensar algum tempo na expectativa de observar alguma espécie que evitando a tempestade se resguarde mais em terra.

Há já alguns anos que é habitual a invernagem de um individuo desta espécie (eventualmente sempre o mesmo) no estuário do Rio Douro, mais propriamente nos cais da doca da Afurada.

Até ontem eu não tinha conseguido ainda reunir material fotográfico satisfatório desta espécie. Finalmente, ela deixou de fugir de mim e dispensou algum tempo da sua vida posando como modelo!
Assim, posso também partilhar o resultado da passerelle tendo como cenário a zona onde o Rio Douro se encosta à pitoresca Afurada



                                                    Video

oooOooo

Delaware Bay>Afurada = 5.537 kms (em linha recta)


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sábado, 28 de janeiro de 2017

Orphans ... why?


"orfão" observado em 29.07.2016


Porque existem tantas aves órfãs?


A anilhagem científica de gaivotas é um método de investigação que se baseia em marcar as aves para estudar o seu comportamento. Consiste na marcação individual destas com um pequeno anel de metal na tíbia ou tarso da ave (geralmente em liga de alumínio) onde está gravada a identificação do Centro emissor, País e numero de matricula.

As anilhas plásticas coloridas com inscrição de um código individual, são marcadores auxiliares que permitem a identificação em campo sem necessidade de capturar a ave. Este sistema de leitura à distância ajuda a acompanhar os movimentos do pássaro e sua história de vida.
As anilhas podem ser comparadas ao chip que se introduz nos cães. São o Bilhete de Identidade das aves e fazem a ponte entre o animal e toda a informação que a ele está associado.


Qualquer registo de uma ave anilhada, obtido através da leitura destas anilhas poderá fornecer muitos dados acerca da vida dessa ave que são fundamentais para o estudo que permite elucidar aspectos da biologia das aves, nomeadamente os seus padrões migratórios, distribuição geográfica, longevidade, mortalidade, composição populacional, morfologia, comportamento alimentar e outros aspectos que serão estudados por ornitólogos.

As aves migradoras deslocam-se livremente através das fronteiras políticas de vários países, e são por isso consideradas património colectivo da comunidade internacional, daí que a cooperação internacional seja essencial para o seu estudo.
A EURING  é a organização que assegura esta cooperação para todos os aspectos da navegação científica de pássaros na Europa. A EURING foi fundada em 1963, com o objectivo declarado de organizar e normalizar a nível europeu a anilhagem científica das aves.

A anilhagem de aves está sujeita ao cumprimento de leis, que variam de país para país, mas geralmente qualquer pessoa está habilitada a participar nos esforços de anilhagem, desde que tenha recebido formação adequada e possua autorização legal para tal.

Tudo isto vem a propósito de eu não compreender como é possível existirem tantos “projectos” de anilhagem em Espanha que, penso eu, foram gerados com o propósito de estudar a informação sobre as aves anilhadas, mas que, passado algum tempo, como que desaparecem do mapa, deixando todas as aves “órfãs” e uma quantidade enorme de informação perdida.
Confesso que quando observo uma ave destes “projectos” me sinto como se estivesse a despejar água para um copo sem fundo…

Não seria justo eu não referir que, por todo o território espanhol, existem Grupos de Anilhamento que, de forma voluntária e entusiasmada, exercem trabalhos notáveis de dedicação e profissionalismo e são exemplos positivos da forma como este assunto deve ser tratado.


Mas, como diz o povo “no bom pano cai a nódoa” lamento informar que estas são as anilhas de “projectos” espanhóis com aves órfãs. Cada anilha pertence a um projecto diferente. (*)



(*) Ressalvo a hipótese, improvável, de existir aqui alguma anilha que pertença a um projecto mal identificado por mim.

P.S. - Após publicação desta mensagem recebi comunicação de colegas espanhóis que directa ou indirectamente me vão facultar informação sobre as anilhas aqui "mascaradas".


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Guernsey Gulls [3]

Gaivotas de Guernsey [3]


Larus fuscus – 6.1.2017
Lesser black-backed gull | Goéland brun| Gaviota sombria | Gaivota-d'asa-escura

É conhecido o esforço desenvolvido pelo projecto liderado por Paul K.Veron na investigação de gaivotas no Bailiado de Guernsey do arquipélago das Ilhas do Canal.

Ilhas do Canal

O Bailiwick of Guernsey  é formado pelas Ilhas de Guernsey, Alderney, Sark, Herm e Jethou (incluindo os rochedos e ilhéus associados).
Buhrou  com apenas 2,3 Kms, é um ilhéu deserto -santuário de vida selvagem- situado a noroeste de Alderney. Aqui nidifica uma importante colónia de aves marinhas que serve de base para avaliar aspectos da ecologia da reprodução e da migração das aves que lá nidificam.

Pois, é de Borhou a origem desta gaivota que observei, pela primeira vez.

- Especie – Larus fuscus 

- Anilha - W[6.T9]
- Anilhador - Paul K Veron
- Idade quando anilhada - Pinto
- Data e local da anilhagem – 10.07.2010 – Burhou, Alderney, Channel Islands 
- Última observação – Porto de Leixões, Matosinhos, Portugal

 + info +

                                 Quadro de observações anuais
ANO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
2010






ring


1


2011












2012












2013







1




2014












2015












2016












2017
1












Observações em Espanha
Observações em Portugal
Observadores:
- Guernsey: Paul Veron (ringer)
- Espanha (Galiza): António Gutierrez
- Portugal: Tim van Nus e José Marques

Curiosidades migratórias:
- apesar de ter 6 anos de vida, apenas existem 3 registos de observação;
- não é conhecido o local de invernada porque os registos existentes não são conclusivos, apenas indiciam a provável utilização da costa atlântica da Península Ibérica como corredor migratório;

Locais onde foi observada


Agradecimento:
- A história de vida desta ave foi disponibilizada por Paul K Veron


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