sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Spain Gulls (3)

Gaivotas espanholas (Múrcia)

OB[7P0] - 16.06.2017

Admito que tenho sido critico de alguns Projectos de anilhagem por deixarem de acompanhar o conhecimento sobre as rotas migratórias ou a própria evolução das aves anilhadas, pelo consequente desperdício de informação cientifica.
Refiro-me, naturalmente, aos projectos que deixaram de receber/responder às informações de avistamentos que lhes são comunicadas.
Na vizinha Espanha subsistem ainda alguns desses projectos. Todavia, parece que a EBD-Estação Biológica Donaña (Organismo que coordena a marcação com anilhas legíveis à distancia que se realizam em Espanha) está a recuperar informação sobre aves que estavam “orfanadas”.

É compreensível que este Organismo não possa facultar informação daquilo que, provavelmente, ela não dispõe! Daí que, relativamente a alguns Projectos, a informação seja ainda um pouco precária.

Um dos casos concretos, é o relativo ao Projecto da ANSE-Asociación de Naturalistas del Sureste  de Múrcia. Na anilhagem de Gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) este projecto utilizou anilhas de cor laranja cujo código da inscrição era, inicialmente, de cor verde, passando depois a ser em azul escuro.
                 OG[5H3]                                          OB[6X7]            

Sei da existência de colegas que deixaram de participar avistamentos destas aves. Todavia, atendendo ao novo enquadramento, recomendo que se registem e insiram as vossas observações (mesmo antigas) no portal ministerial onde está alojado o site da EBD-Estação Biológica Donaña e, se a ave observada já estiver carregada no portal, você pode obter de imediato o histórico da ave, conforme este exemplo;

OB[7N4] - 22.09.2016


2018

sábado, 4 de agosto de 2018

Greenland shorebirds suffer a disastrous breeding season

Calidris alba


Em 2018 a época de reprodução de aves limícolas na Gronelândia... é desastrosa!



As alterações climatéricas poderão impossibilitar a reprodução de aves limícolas no NE da Gronelândia.

No inicío do mês de Julho passado divulguei um alerta com o pedido de ajuda para a contagem dos Pilritos-das-praias (Calidris alba)  na costa portuguesa durante o Outono/Inverno deste ano.
No artigo publicado no inicio de Julho (leia aqui) Jeroen Reneerkens(*) alertava que a queda excessiva de neve na Primavera poderia inviabilizar a criação de limícolas no NE da Gronelândia e solicitava a ajuda para a contagem das aves observadas.
(*) Jeroen Reneerkens da Universidade Dinamarquesa de Groningen, desde 2003 que estuda anualmente a criação de Pilritos-das-praias (Calidris alba). Ele desenvolve este trabalho na Estação de Pesquisa Zackenberg  (74 ° 28'N 20 ° 34'W) no NE Groenlândia.

A Península ibérica é um dos destinos de invernação desta espécie. Os primeiros adultos aparecem no final do mês de Julho e os primeiros juvenis (se houver) em meados de Agosto. Este ano, podem surgir uma ou duas semanas mais tarde.
Assim, renovo o pedido solicitando a colaboração de todos.
Para melhor identificação (juvenil/adulto) reproduzo aqui o manual que adaptei para o português.
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Manual de campo para identificar Pilrito-das-praias (Calidris alba) e estimar a proporção de juvenis nos bandos.
Hilger Lemke | John Bowler | Jeroen Reneerkens . Julho 2013
(foto-1)



Este manual vai ajudá-lo a distinguir Pilrito-das-praias juvenis de adultos e a ser capaz de contar as proporções de uns e outros no campo. Este método é muito eficaz para estimar o sucesso reprodutivo da espécie.
As características visuais mais importantes de ambas as classes de idade são mostradas em fotografias e descritas em texto.
No final deste documento encontrará uma lista de dicas para fazer as contagens no campo.
Muito obrigado pela sua ajuda e aproveite!

Para entender e evolução da população de Pilritos é essencial ter dados sobre a sua sobrevivência e reprodução.
O sucesso reprodutivo nas zonas de reprodução do Alto Ártico pode variar consideravelmente de ano para ano devido a várias circunstâncias nomeadamente aos ciclos de “lemming” (pequeno roedor, existente na tundra ártica) e à pressão de predação sobre a espécie.
A estimativa do sucesso reprodutivo é avaliada melhor nas áreas onde a espécie vai invernar, dado que é mais fácil identificar a proporção de juvenis dentro dos bandos. No entanto, devido à imensa zona de invernada dos Pilritos, estimativas confiáveis só podem ser obtidas quando há muitos observadores, em muitos locais, contando o número de juvenis dentro dos bandos de forma padronizada e fiável.
Por isto, pedimos a sua ajuda. No final da temporada, enviaremos os resultados do nosso estudo.

Grupos de penas importantes e terminologia
Distinguir adulto de juvenil de Pilritos não é difícil, mas, o observador inexperiente pode necessitar de um pouco de treino. É importante perceber que tanto adultos como juvenis estão a mudar as penas durante a época do ano em que estamos interessados em saber a proporção de ambos os grupos de idade.
Por isso, é importante reconhecer ambas as idades nas diferentes fases da muda. É muito útil fixar a sua atenção nos grupos de penas e do seu padrão assim como na coloração e grau de desgaste para classificar no campo, com fiabilidade, a idade destas aves.
Familiarize-se com os grupos de penas e a terminologia mencionada na foto 2.
Vamos usá-las para explicar as principais diferenças entre juvenis e adultos nas próximas páginas.
(foto-2)
1- identifique as penas da coroa, do dorso e pescoço e as escapulares
2- veja as coberturas de asa e penas de voo (terciárias e as primárias).
Compare esta foto com a foto 4!
Se necessário, também pode praticar esta topografia em qualquer guia de aves decente.

Características de muda e plumagem de juvenis e adultos de Pilrito-das-praias (1)
(foto-3)
1-meados de Setembro, GB: Uma espécie, mas duas classes de idade: a ave à esquerda é um adulto com a típica plumagem de inverno, enquanto o pássaro à direita é um juvenil com algumas penas do dorso já renovadas.

Principais diferenças entre juvenis e adultos:
Os juvenis têm a plumagem muito fresca e cuidada, enquanto as penas dos adultos são (muito) mais desgastadas em Agosto e Setembro. Os juvenis tendem a ter a parte superior num padrão axadrezado a preto e branco e, frequentemente, uma tonalidade cremosa na parte superior do peito e cabeça, quando a plumagem é muito nova.
Adultos e juvenis, começam ambos a mudar para a plumagem de Inverno a partir de meados de Setembro (pode variar dependendo da região geográfica), portanto, vai-se complicando a identificação no campo. Isso significa que você pode encontrar adultos que mantêm parcialmente a típica plumagem nupcial (reprodução), bem como juvenis que substituíram já as características penas de juvenil.
Tanto juvenis como adultos, mostram mais e melhor as típicas penas cinzentas da plumagem de inverno na cabeça, manto e coberturas. Portanto, é importante ter em atenção as plumagens principais da espécie (juvenil, adulta nupcial (reprodução) e adulta de inverno) para perceber como a muda pode afectar os estágios transitórios.
Entre meados de Setembro e final de Outubro, é a melhor época para identificar a idade pelo telescópio, devido à migração e à muda (ver Bibliografia de apoio).


Características de muda e plumagem de juvenis e adultos de Pilrito-das-praias (2)
Os juvenis geralmente mudam as penas da cabeça e do corpo. As terciárias e coberturas apenas são mudadas nos pássaros que invernam nos trópicos.
                                             (foto 4)                                                                     (foto 5)                                                                (foto 6)

(foto 4)- meados de Setembro, Bretanha: plumagem típica antes início da muda. As penas do manto e escapulares com centros pretos e franjas brancas são muito distintas. O tom acastanhado no pescoço e no rosto indica uma plumagem muito recente.
(foto 5)- meados de Setembro, Bretanha: coroa e lateral do pescoço manchado a preto. Em parte do manto as penas já estão mudadas para a plumagem de inverno.
(foto 6)- Janeiro, norte da Frísia: juvenil no seu primeiro inverno com a plumagem do manto, coroa e escapulares mudadas. Só pode ser reconhecida a idade porque retém as terciárias e cobertura com centros escuros, que ainda não foram renovadas.

No Inverno, a muda nos adultos passa pela completa substituição da plumagem de reprodução para a plumagem de tonalidade branco e cinzento-claro.
(foto 7)                                                 (foto 8)                                                                  (foto 9)

(foto 7)- meados de Setembro, Bretanha: Mudando da plumagem de reprodução para a de Inverno. As novas penas cinzas na coroa e escapulares são as penas da plumagem de inverno. As mais escuras e desgastadas são restos da plumagem nupcial.
 (foto 8)- meados de Setembro, Bretanha: quase completamente mudado para a plumagem de inverno. Apenas restam muito poucas penas negras, da plumagem nupcial, na parte superior.
(foto 9)- Janeiro, Frísia do Norte: plumagem de inverno completa com a típica parte superior acinzentada pouco apelativa e a parte inferior branca e mais brilhante.

Características de muda e plumagem de juvenis e adultos de Pilrito-das-praias (3)

(foto 10)
(foto 10)-meados de Setembro, Bretanha: quantos juvenis vê?
 (A segunda ave da direita (primeiro plano) é um juvenil, os outros são adultos. A juvenil é reconhecida pelo xadrez escuro nas partes superiores, o enegrecimento da coroa, rosto e pescoço num padrão sujo. Observe o contraste entre o novo manto/escapulares e as penas velhas nas coberturas/terciárias, dos adultos.)

(foto 11)
(foto 11)- meados de Setembro, Bretanha: descubra as idades neste grupo!
(Existem apenas juvenis neste grupo. Todos mostram o típico xadrez preto e branco nas partes superiores e o pescoço manchado na lateral com um matiz pardo. Observe a aparência global, fresca e “limpa” da plumagem!).

Trabalhando no campo (1)
(foto 12)


• Use um telescópio para observar os bandos de Pilrito-das-praias;
• Estime as idades e conte os pássaros um por um. Uma nota dizendo “450 Pilritos e 10% eram juvenis” não é suficientemente preciso;
• Utilize algum contador para realizar as contagens ou fichas manuais para registar a sua contagem;
• É mais prático se houver uma segunda pessoa a ajudar; enquanto você observa o bando e conta as aves, o seu amigo anota os resultados;
• Os juvenis geralmente agrupam-se dentro do bando. Portanto, tente sempre contar o bando inteiro. Tenha em conta que, se se trata de um bando grande (> 300 Pilritos) basta contar apenas uma parte. Em todo o caso, é importante saber quantas aves estavam presentes na área e quantos indivíduos pôde contar. Por exemplo: 1238 Pilritos contados, dos quais 79 juvenis e 638 adultos.
• Contar e reconhecer as idades das aves quando paradas é mais fácil do que quando se estão alimentando com os indivíduos em permanente correria de lado para lado. Tentá-lo nesta situação causaria duplas contagens e, portanto, dados não confiáveis. Aguarde o momento certo quando o bando está bem espalhado ou parado.

Trabalhando no campo (2)
(foto 13)

(foto 13)-Setembro, Bretanha: um pequeno desafio final:
Quantos juvenis e adultos consegue identificar neste bando?
(O segundo indivíduo da esquerda é o único juvenil, reconhecível pelo acastanhado das partes superiores, pescoço e coroa. Os outros 51 Pilritos são todos adultos, com a muda progredindo para a plumagem cinza e branca de inverno. Muitos adultos ainda mostram alguma plumagem antiga, que é predominantemente escura, sem as franjas largas e brancas, característica dos juvenis.)

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O que precisamos que nos envie?
1) data, localização exacta (com coordenadas), teu/vosso nome;
2) total das aves classificadas por idade
3) total de adultos
4) total de juvenis
5) total das aves presentes

• Por favor, envie os dados para Jeroen Reneerkens
(J.W.H.Reneerkens@rug.nl)! A sua colaboração é muito importante!
• Visite www.waderstudygroup.org  para saber mais sobre o Projecto Pilrito-das-praias do International Wader Study Group (Grupo Internacional para o Estudo das Limícolas).


Referências:

Bibliografia de apoio:
The Shorebird Guide; O`Brian, Crossley & Karlson; New York, 2006.
Shorebirds of the Northern Hemisphere; R. Chandler; London, 2009.
• Guia de Aves-Collin´s Bird Guide (disponível em vários idiomas); Svensson,
Mullarney & Zetterström, qualquer edição.
Establishing the right period for estimating juvenile proportions
of wintering Sanderlings via telescope scans in Northern Scotland;
Lemke, Bowler & Reneerkens; Wader Study Group Bulletin 119 (2), 2012.

Fotografias de:
- Jeroen Reneerkens
     Fotos: 1,2,3,4,5,7,8,10,11,13
- Hilger Lemke
     Fotos: 6,9,12

Agradecimentos:
-A Sebastien Nedellec, María Fernández e Manuel Flores Lunar, pela tradução do texto para o francês e o espanhol.
-Franziska Lemke ajudou com o design gráfico.



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Para obter o Download deste manual "click" em:




domingo, 22 de julho de 2018

Seagulls on Land (14)

Gaivotas em terra (14)


20/07/2018


20/07/2018 – Porto de Pesca de Leixões
Hoje fiquei surpreendido com a quantidade de juvenis da espécie Gaivota-d’asa-escura (Larus fuscus) que observei no porto de pesca.
A minha admiração é porque as crias de Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) que nasceram este ano nos telhados em Matosinhos, ainda de lá não saíram para os primeiros voos e já cá chegaram juvenis de Larus fuscus vindos do Norte da Europa!
Lamentavelmente não vi nenhum desses juvenis com anilhas coloridas.
Das 7 gaivotas com anilhas coloridas registadas, destaco um individuo com anilha holandesa pertencente ao Projecto liderado por Roland-Jan Buijs, porque, desde a sua primeira viagem migratória em 2015, todos os anos tem sido observada em Portugal.
26/02/2018

- Anilha -  G[JV]-  

- Anilhador -   Hans Keijser
- Idade quando anilhada:  Pinto
- Data e local da anilhagem –  14/07/2015 – Europoort (Dintelhaven), Roterdão, Holanda doSul, Holanda.

LIFE HISTORY
Date     -     Location     -     Observer
14.07.2015 Europoort (Dintelhaven), Zuid-Holland, NL - Hans Keijser (ringer)
13.09.2016 Leixões Harbour, Matosinhos Portugal – José Marques
14.11.2016 Vila Nova de Gaia (Estuario do Douro)  Portugal - Francisco Bernardo
09.03.2017 Leixões Harbour, Matosinhos, Portugal – José Marques
25.07.2017 Leixões Harbour, Matosinhos, Portugal – José Marques
26.02.2018 Leixões Harbour, Matosinhos, Portugal – José Marques
20.07.2018 Leixões harbour, Matosinhos, Portugal  -  José Marques

  Fotos deste individuo nos anos anteriores:
25/07/2017

09/03/2017

13/09/2016


Curiosidades migratórias:
- Depois que viajou da Holanda, esta ave apenas tem registos de observação em Portugal.

Agradecimento:
A história de vida desta ave foi disponibilizada por: Roland-JanBuijs


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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Seagulls on land (13)

Gaivotas em terra (13)

NW[J606R] - Larus fuscus intermedius – Noruega (1º.registo)

12/07/2018 – Porto de Pesca de Leixões

Há quem considere que esta época do ano não é muito interessante para a observação de gaivotas em Portugal, porque... as espécies migratórias viajaram para a sua zona de reprodução!
Porém, nem todas as aves regressam à origem, há sempre algumas aves -principalmente imaturas- que ficam cá por longos períodos o que nos permite acompanhar a evolução dos vários ciclos de plumagem.
Curiosamente, neste dia, das onze aves que registei com anilhas coloridas, cinco foram o meu primeiro registo da sua passagem por Matosinhos.

NB: Para conhecer o histórico de cada ave, click na legenda da foto.

Os primeiros registos nesta localidade:





As outras gaivotas já com registos anteriores, são:






Embora não anilhada, registei a presença de um individuo Larus marinus espécie que é pouco vulgar observar no Verão português.

Larus marinus (imatura)

Recomendação:
- Para boa apreciação dos ciclos de plumagem de gaivotas, consulte o site:  http://www.gull-research.org/


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