sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Great Cormorant

Corvo-marinho

De Setembro a Abril é vulgar observar no Porto de Leixões e ao largo das praias de Matosinhos pequenos grupos de Corvos-marinhos a pescar e na praia de Angeiras é também normal encontrar esta espécie no areal misturados com gaivotas.
É uma ave de hábitos solitários, mas pode ser encontrada em grandes bandos em zonas ricas de alimento, como acontece no estuário do rio Douro onde invernam centenas de Corvos-marinhos-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo).
Parte da população invernante no nosso país deverá ter origem nos países banhados pelo Mar do Norte.
Os corvos-marinhos alimentam-se principalmente de peixes que pesca em mergulho, consumindo também anfíbios, crustáceos e moluscos.

Para poder voar mais facilmente, após cada período de pesca descansa com as asas abertas ao sol de modo a secar as penas, que não são impermeáveis.

Porto de Leixões – Outubro.2015

Os corvos-marinhos propagam-se em todos os continentes à excepção da América do Sul e da Antárctida e habitam principalmente zonas costeiras embora possa ser encontrado em lagos interiores, áreas pantanosas e em barragens. Normalmente não frequenta o mar aberto, podendo aí ocorrer excepcionalmente.
As populações que nidificam no norte e no centro europeus invernam sobretudo nos países do sul da Europa, tanto na costa atlântica como na mediterrânica (BirdLife International,2014).


Praia de Angeiras – Janeiro.2015

São reconhecidas 5 subespécies:
- P. c. carbo - Atlântico norte
- P. c. sinensis - Ásia (até ao Japão e ao Sri Lanka) e Europa* (centro e sul),
- P. c. maroccanus - África (noroeste)
- P. c. lucidus – África (oriental e do sul)
- P. c. novaehollandiae - Nova Guiné, Austrália e Nova Zelândia
* Existe uma polémica interessante acerca da hipótese desta subespécie ter sido introduzida na Idade Média pelos holandeses da China para a Holanda para utilização na pesca artesanal de uma forma análoga à caça com falcões. A confirmar-se esta teoria, teríamos de admitir que os sinensis na Europa seriam uma espécie exótica invasora e portanto uma ameaça para a ictiofauna e biodiversidade no continente (!). Actualmente é um facto bem conhecido que o numero de sinensis na Europa eleva-se a vários milhões de indivíduos. 


Sabemos da existência de corvos-marinhos em quase todos os continentes com características genéticas e morfológicas similares.
O mais fascinante, para mim, é haver uma espécie muito peculiar cuja existência está circunscrita às ilhas Isabela e Fernandina do Arquipelago das Galápagos.
Trata-se de uma espécie nativa das Galápagos e é o único corvo-marinho que não voa. O cormorão-das-galápagos (Phalacrocorax harrisi).


Foto de Fábio Paschoal

O arquipélago de Galápagos foi formado por vulcões há mais de 5 milhões de anos e colonizado por diferentes espécies de aves vindas do continente, provavelmente desviadas da sua rota por tempestades. Entres essas espécies estavam os corvos-marinhos, aves que perderam o voo após milhões de anos de evolução.
- Como foi que isso aconteceu?
Os corvos-marinhos possuem patas com membranas interdigitais que aumentam a superfície de contacto e fornecem uma força extra para nadar submerso. Para ganhar forma mais aerodinâmica, as aves fecham as asas cessando a sua utilização enquanto perseguem uma presa. As aves existentes no continente ainda mantêm a destreza de voo para se deslocar e para escapar aos seus predadores. Todavia, devido ao seu peso, gasta muita energia no voo e as aves não fazem grandes viagens pelos céus se for seguro ficar no chão, principalmente em ilhas onde os ventos as podem levar para bem longe no oceano.
Como os predadores que os poderiam ameaçar não conseguiram chegar às Galapagos, então o melhor seria manter os pés no chão.
Enquanto as gerações se sucediam, sem a necessidade de voar, as asas foram diminuindo gradualmente até que surgiu uma nova espécie, o Comorão-das-galápagos. Actualmente, as pequenas asas que eles abrem para secar após uma pescaria são tão diminutas, relativamente ao seu tamanho, que certamente os não suportariam no ar.

O naturalista Darwin, no seu livro A Origem das Espécies, escreveu sobre as consequências do uso e desuso das asas em populações de insectos localizados em ilhas que tendem a perder o voo.
Darwin atribuiu essa perda à Selecção Natural e concluiu: "Eu acredito que a perda quase total da capacidade de voar de inúmeras espécies de aves, que agora residem ou colonizaram recentemente ilhas oceânicas, sem ameaça de nenhum predador, foi causada pelo desuso."
Ele ficaria maravilhado ao ver o Comorão-das-galápagos de hoje!
A sua população nunca foi muito elevada, devido à sua distribuição geográfica restrita, mas manteve-se em equilíbrio até à colonização do arquipélago pelo Homem.
Após a colonização das ilhas por seres humanos e seus animais domésticos, a pesca predatória e devido às mudanças climatéricas que aumentam a temperatura dos oceanos e diminuem as quantidades de alimento disponível, colocam o Comorão-das-galápagos no rol das espécies vulneráveis da Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Em 1999 a população nas duas ilhas era de cerca de 900 indivíduos.