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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

England Gulls - Peter Rock Project

Gaivotas Inglesas – Projecto do Peter Rock

G[L+S] 

Nos primeiros meses de Inverno, Portugal recebe muitas aves vindas do Norte da Europa que por aqui passam com destino a Sul ou, que vêm passar o Inverno connosco.
Como é habitual, no principio do mês de Novembro, recebemos também a visita do amigo Peter Rock que vem percorrer a costa portuguesa acompanhando o movimento das “suas” aves.

Como sempre, o nosso encontro matinal ficou marcado no Bar do Porto de Pesca e enquanto tomamos o nosso café, planeamos o dia visitando não só o Porto de Pesca e Praia em Matosinhos mas também a Reserva Natural do Estuário do Douro e a Praia da Aguda.
No Estuário do Rio Douro

Naturalmente que o principal objectivo do Peter é observar as aves do Projecto que lidera e, o dia parecia prometer, pois chegados ao cais, ainda o sol não tinha raiado, logo registamos a presença da juvenil com a anilha G[L+S] . Curiosamente esta ave parece estar a invernar nesta zona porque esta é a quinta vez que registo a sua presença em Matosinhos.

Ao longo do dia registamos cerca de cinquenta aves anilhadas distribuídas pelas espécies; Larus fuscus, Larus michahellis, Larus melanocephalus e Ardea cinerea. Estas aves pertencem a Projectos com origem em: Inglaterra, Belgica,Holanda, França, Guernsey, Ilhas Baleares, Noruega, Escócia, Dinamarca, Alemanha e Portugal.

Contrariamente ao que é habitual, quando chegamos à Praia da Aguda apenas estavam no areal cerca de 20 gaivotas pelo que decidimos ir a Espinho encerrar o nosso dia de Gullwatching. E, foi na Praia de Espinho que registamos a segunda gaivota do dia que pertencia ao Projecto do Peter. Era a G[B+K] um belo juvenil nascido no Verão deste ano.

 G[B+K]

Outras aves nascidas em 2017, do Projecto do Peter Rock, que já registei em Matosinhos:
(clik no código a verde para obter mais informação sobre a ave seleccionada)

G[S+T]

No fim do dia... o abraço de despedida e a promessa de um novo encontro em 2018.

Até lá Peter, tudo de bom para ti.


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sábado, 5 de novembro de 2016

Urbangulls vs Peter Rock





Em plena época de migração para sul das gaivotas do norte da Europa, recebemos em Matosinhos a habitual e sempre estimada visita de um amigo que percorre a costa portuguesa (e algumas lixeiras) como que à procura das suas “bébés”.



                                               Video - 1:38 min



Peter Rock é conhecido e reconhecido pelo excelente trabalho pioneiro que desenvolve, há muitos anos, com gaivotas que criam nos telhados em vários lugares ao redor de Bristol.

Segundo informação do Peter a primeira reprodução de gaivotas em Bristol foi em 1972, em Gloucester 1967 e em Cardiff 1962. Os dados conhecidos indiciam que o fenómeno das gaivotas que deixaram os habitats tradicionais de nidificação e começaram a criar em ambientes urbanos tem apenas cerca de 50 anos.

Trabalhos similares, com anilhagem de gaivotas reprodutoras em áreas urbanas europeias, tenho conhecimento de apenas um projecto na cidade de Saragoça e outro no norte de África, em Ceutaambos com gaivotas da espécie Larus michahellis (Gaivota-de-patas-amarelas).

Actualmente, os projectos existentes incidem apenas nas espécies Larus michahellis e Larus fuscus. Todavia, enquanto em Saragoça e Ceuta a espécie em estudo seja dominante, no Reino Unido verifica-se uma expansão na gama das espécies cujo cruzamento é viável e temos já registado algumas aves híbridas resultantes do acasalamento de indivíduos Larus fuscus com Larus argentatus. Dada e esterilidade das aves híbridas, estes cruzamento não são ameaças para a integridade das espécies.

Pode é acontecer que alguns dos hábitos das gaivotas se alterem profundamente resultando daí alguma degeneração de comportamentos.
Vou contar uma história:
- No prédio onde eu vivo e noutro vizinho nidificam há vários anos dois casais de gaivotas. Presumo serem sempre os mesmos casais porque, nos primeiros anos quando eu saía para passear com os meus cães, elas grasnavam imenso e faziam voos rasantes muitas vezes dejectando para cima de nós. Depois, deixaram de grasnar e começaram a emitir sons (au, au, au) muito semelhantes a latidos.
Hoje, quando saio com os cães, os pais e até os filhotes, olham para nós e continuam como se não existíssemos.
Por esta mutação de hábitos eu digo que talvez daqui a 300 anos exista uma subespécie não muito diferente das actuais que será designada pelos taxonomistas como Larus fuscus urbanus (brincadeira). Depois, estaremos cá para ver!

A zona costeira de Matosinhos é ponto de referência para algumas das aves anilhadas pelo Peter Rock porque aqui passam parte do inverno ou descansam no rumo para outras paragem.


É curioso que no passado dia 31 de Outubro começamos a fazer observação na Docapesca em Matosinhos, pelas 06H30 (ainda o sol não tinha nascido), e após termos percorrido muitos quilómetros, no final do dia, em Espinho… eureka! Vimos, finalmente, uma gaivota do Peter, a juvenil R[B+F] (Best+Father) nascida neste ano.

Confesso que fiquei sensibilizado pela forma particularmente carinhosa como ele “falou” com esta jovem, por isso, aqui deixo uma foto para memória futura.

Abaixo reproduzo fotos das aves anilhadas/nascidas neste ano registadas nas minhas observações em Matosinhos.



link

Clik "link" para mais informação


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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Peter Rock em Matosinhos

Matosinhos é um sitio muito interessante para observar gaivotas, graças aos portos pesqueiros (Angeiras e Leixões) e às suas praia de longos areais.
Existe aqui uma boa “equipe” de observadores locais e somos visitados por entusiastas estrangeiros que seguem a rota tomada por muitas gaivotas que imigram do norte da Europa rumo ao sul do continente e ao norte de África para invernar.
Por essa razão, no principio desta semana tivemos em Matosinhos a visita habitual do ilustre Peter Rock.
Não preciso de fazer a sua apresentação porque todos conhecem o “Senhor das Gaivotas”. Todavia, como a ele se deve a invenção do sistema de anilhas de leitura à distancia (anilhas coloridas com código), eu o considere mais o “The Lord of the Rings”.
Ele teve azar com a data que escolheu para nos visitar porque havia muito poucas gaivotas na costa. Presumo que, como tem estado temporal, as gaivotas estejam mais para o interior do continente por falta de comida na costa. Em Leixões isso é notório porque acabou a quota de pesca de sardinha e claro, não há peixe não há gaivotas!

De qualquer modo estes dois dias na companhia do Peter Rock e do Inocêncio Oliveira não deram para registar muitas observações mas serviram para conviver um pouco e reforçar os laços de amizade.

José Marques-Peter Rock-Inocêncio Oliveira

A observação mais interessante foi a de um Gaivotão-real que tinha apenas a anilha metálica que, felizmente, deu para ler a inscrição.

Larus marinus - MA06067


-  Anilha metalica - MA06067

-  Esta ave foi anilhada ainda pinto por Bardsey BO (BTO) em 04.06.2006 em Ynys Gwylan Islands, Gwynedd, Reino Unido
-  Local da observação: Praia do Carneiro junto à foz do Rio Douro, Porto, Portugal em 02.11.2015


Ynys Gwylan Islands > Porto = 1.328 kms

C 61-74 cm, ENV 144-166 cm
Reproduz-se no Norte da Europa ao longo da costa, isolado ou em pequenas colónias e, localmente, em grandes lagos. Geralmente constrói ninho em locais elevados, em ilhas rochosas.
Alimenta-se de peixe, restos, aves; cleptoparasita, rouba os alimentos a outras aves.

Estatuto em Portugal:
- Invernante pouco comum.
Gaivota de grande porte, pode ser encontrada com alguma regularidade, sobretudo na metade norte do litoral português.